Menina nota mil

19/01/2018
Maria Fernanda foi nota MÁXIMA em Redação no ENEM.

Ela foi recebida de forma emocionada no bloco do 3º ano do Ensino Médio por um de seus diletos professores. É que, no Colégio Santa Cecília, não guardamos demonstrações de afetos, deixamos transbordar.

Cada conquista dos nossos alunos é celebrada como se fosse única, porque assim eles o são. A singularidade de cada um nos diz muito: os seus sonhos, as limitações, as superações, os desejos de um futuro melhor para o mundo. 

Maria Fernanda de Miranda Mota Gurgel do Amaral tirou nota máxima em Redação no ENEM. Uma conquista para poucos, apenas 53 em todo o Brasil. Ela recebe o resultado com emoção e simplicidade.

O Santa Cecília é extensão de casa. “Eu tenho um momento muito especial, que foi na semana do segundo dia do Enem, porque o meu aniversário era dia 10 de novembro e a prova dois dias depois. A data do meu aniversário era, por coincidência, meu último dia de aula na Escola. Tive aula com um professor com quem criei um grande laço, o Ricardo Jorge, de Biologia. No meio da aula, eles fizeram uma surpresa, e o Ricardo entrou com um bolo na mão. Caí no choro. Ele fez um discurso de despedida que me marcou muito porque ele tem um filho pequeno que estuda no Santa Cecília e disse que, quando  olha para a gente, projeta o futuro do próprio filho. Foi realmente muito emocionante”.

 

Santa Cecília - Como você recebeu este resultado: nota máxima em Redação no ENEM 2017?

Maria Fernanda - Eu estava sozinha em casa, o que achei uma coisa boa por ser um momento meu. Eu não estava conseguindo entrar na página do Guia do Participante do INEP porque a rede estava congestionada e, enquanto isso, eu ficava acompanhando os sites de notícias com comentários da comissão do INEP, que havia dado uma entrevista coletiva um pouco antes. Fiquei vendo a quantidade de nota zero em redação, as reduzidas notas máximas e pensei que não tinha nem perigo de ter atingido os mil pontos. Quando finalmente consegui entrar e ver o resultado, quase tive um treco. Comecei a chorar, não conseguia nem falar para os meus pais. Parecia que eu ia enfartar, meu coração saindo pela boca. Eu esperava uma boa nota, mas nem tanto assim (risos), principalmente por serem tão poucos.

 

Santa Cecília - O que você achou do tema?

Maria Fernanda - Quando abri a prova, o primeiro desafio foi achar a proposta de redação. Nos outros anos, vinha logo na contracapa; dessa vez, veio no meio da prova. Quando olhei, esperava um tema como homofobia e, quando li que era sobre os desafios para a educação de surdos, fiquei um pouco apreensiva, por ser tão específico. Parei para respirar, fiz algumas questões e, quando voltei à redação, fui me lembrando do conteúdo de uma redação que eu havia feito sobre educação inclusiva de forma mais ampla. Então, fui trazendo aquele conteúdo de volta, só que de forma mais específica para os surdos, a dificuldade do ensino de libras, a segregação em turmas especiais... E acabou dando certo. Vendo o rascunho, percebi que me arrisquei muito, usei dados do IBGE que eu lembrava, citações, dados do Estatuto da Pessoa com Deficiência. E eu lembrava porque, na semana anterior à prova, eu só havia estudado redação, as que eu tinha feito, dicas novas, textos de apoio sobre temas variados.

 

Santa Cecília - A Redação era o que mais lhe preocupava no Enem, em função de ser um conteúdo mais subjetivo?

Maria Fernanda - A redação é um risco para todo mundo. Embora haja critérios de correção e competências específicas, cada corretor lê aquele conteúdo de uma forma diferente. Durante o ano, eu tentei focar mais em redação e matemática, para me diferenciar na pontuação. Tem que estudar, mas também tem que ter estratégia, conhecer bem a metodologia do Enem para atingir um bom resultado.

 

Santa Cecília - Como foi para você esse ano de preparação para o ingresso na universidade?

Maria Fernanda - O 3º ano foi muito intenso e até hoje não sei se foi bom ou ruim (risos). Foi muito puxado, de muita cobrança interna, por isso é muito importante desenvolver certo grau de autoconhecimento. Eu, por exemplo, acho que comecei de forma errada, passei muito tempo focada em detalhes, coisas que não eram tão importantes, e isso me cansou muito logo no começo do ano. Então, é muito importante ter estratégias bem definidas desde o início. O Enem não é uma prova de detalhes, é totalmente interpretativa e exige que você coloque o conteúdo em situações do dia a dia. É preciso saber aplicar o conteúdo em situações diversas.

 

Santa Cecília - O que mudou na sua rotina do ano?

Maria Fernanda - Não foi uma mudança radical, continuei fazendo atividade física... A única coisa que fiz logo no início foi sumir da vida social e depois percebi que isso nem era saudável. Fui bem rígida comigo mesma e eu senti muita falta de estar com meus amigos nos momentos de descontração. No segundo semestre, já procurei equilibrar melhor tudo isso, até porque já estava muito cansada. A dança da SICE foi um momento único, você abstrai, dança com os seus amigos, aquilo representa os últimos momentos na Escola. 

 

Santa Cecília - E o ato de escrever? Como é a sua relação com a escrita?

Maria Fernanda - Eu gosto muito do gênero do Enem, que é o dissertativo-argumentativo, de expor as ideias naquela forma de texto, tentando deixar as coisas o mais claras possível, expondo certo repertório jornalístico, histórico e filosófico.

 

Santa Cecília - Você lê muito?

Maria Fernanda - Gosto muito de Agatha Christie, li muito Harry Potter  e outros gêneros baseados em fatos históricos, como livros sobre a Guerra Fria. A leitura é um hábito desde criança. Meu pai é um cara dos livros.

 

Santa Cecília - Você passou toda a sua vida escolar no Colégio Santa Cecília. O que a Escola representa para você?

Maria Fernanda - É casa, né? São tantos momentos que eu vivi aqui dentro que tudo, cada canto, é muito especial. Ano passado foi muito difícil para mim, o ano de despedida, muitas lágrimas escorreram. O Santa Cecília é realmente uma extensão da minha casa. Tudo que vivi aqui vou levar para sempre na minha vida. Foram tantos projetos e momentos, como o Máscara, um projeto de evangelização no qual você olha para si, faz um exercício de autoconhecimento em um momento tão delicado como o início do 3º ano.  Eu tenho um momento muito especial, que foi na semana do segundo dia do Enem, porque o meu aniversário era dia 10 de novembro e a prova dois dias depois. A data do meu aniversário era, por coincidência, meu último dia de aula na Escola. Tive aula com um professor com quem criei um grande laço, o Ricardo Jorge, de Biologia. No meio da aula, eles fizeram uma surpresa, e o Ricardo entrou com um bolo na mão. Caí no choro. Ele fez um discurso de despedida que me marcou muito porque ele tem um filho pequeno que estuda no Santa Cecília e disse que, quando  olha para a gente, projeta o futuro do próprio filho. Foi realmente muito emocionante.

 

Santa Cecília - E as memórias da infância?

Maria Fernanda - Nossa! A Educação Infantil era a cara do banho de bica,do parquinho, decatar sementinhas vermelhas. Só boas lembranças. E até hoje ando com as mesmas meninas desse período. Eu e mais cinco estamos juntas desde sempre.

 

Santa Cecília - Você já escolheu o Direito como profissão. Qual é a motivação?

Maria Fernanda - Fiz o teste vocacional aqui no Colégio no 2º ano do Ensino Médio. O Direito despontou com muita força em função do meu interesse pelas questões histórico-políticas. Descartei de cara os cursos das exatas e cheguei ao 3º ano sem muitas certezas até que assisti a uma palestra na Escola, com uma profissional da área de Relações Internacionais que trabalha com Direitos Humanos. Fiquei encantada! Pensei: quero fazer isto na vida! Não sei se ao longo do curso vou me interessar por outras áreas do Direito.

 

Santa Cecília - O que você projeta para o futuro?

Maria Fernanda - Não pensei muito ainda (risos). Quero estudar, depois fazer um mestrado, matricular meus futuros filhos aqui (risos). Minha última dica para os meus colegas é não se deslumbrar, tentar manter a calma. Sei que é muito difícil conciliar a vida social com os estudos, obviamente que moderadamente. E conhecer a prova, o método, manter-se mais próximo possível dela, focando no que é prioridade. É preciso saber interpretá-la.