O uso da internet por crianças e adolescentes

O uso da internet por crianças e adolescentes: diálogos sobre desafios, limites e possibilidades

Como saber se o uso da Internet e dispositivos móveis está excessivo e causando prejuízos?
29/10/2021

Neste período de pandemia, principalmente durante os momentos de isolamento social rígido, a internet, através dos jogos virtuais e das redes sociais, ganhou um papel importante na rotina de crianças, adolescentes e adultos, favorecendo as possibilidades de comunicação, lazer, cultura e conhecimento.

 

No entanto, por mais que as mídias estejam cada vez mais presentes na organização da nossa rotina, seja por motivos profissionais, educacionais, seja de entretenimento, inclusive para “fugir” um pouco de situações que são vivenciadas como negativas, a “hiperconexão” também tem potencial de gerar ansiedade e frustração, podendo chegar a uma situação de dependência.

 

A ansiedade, quando identificada, é proveniente do excesso de informações e de estímulos ofertados no meio virtual. Já a frustração pode ser reflexo da constante comparação disfuncional com o que as outras pessoas aparentemente vivem e têm, daquilo que elas compartilham a todo instante em suas redes sociais.

 

 A exposição excessiva da sua imagem, de informações sobre a sua vida e opiniões pessoais, outra forte característica do mundo virtual, também pode aumentar a possibilidade de sofrer violências em grupos de bate-papos, por exemplo. Essas situações são comuns a todos, inclusive aos adultos. Mas, como as crianças e os adolescentes ainda estão em processo de desenvolvimento cognitivo e socioemocional, tais experiências geram impactos muito mais significativos e danosos, tornando-os um grupo de maior vulnerabilidade.

 

Mas como saber se o uso da Internet e dispositivos móveis está excessivo e causando prejuízos? Um aspecto importante a ser observado é a ausência de controle. Esse uso pode se tornar compulsivo quando ocorre uma prioridade do uso da internet em relação a qualquer outra atividade do dia a dia.

 

Observe seu(sua) filho(a) e perceba se está acontecendo o descumprimento das obrigações, de tarefas de casa, horários das refeições e de sono, em decorrência de muitas horas dedicadas à internet. A queda no rendimento escolar, comportamentos de irritabilidade e de ansiedade, principalmente quando não se pode ficar conectado(a), também são sinais importantes.

 

Muitos se perguntam sobre o tempo ideal de conexão com as telas, que vai variar de acordo com cada faixa etária, com a funcionalidade do uso (se é para estudo ou para diversão, por exemplo) e com a dinâmica familiar. Para tanto, é necessário que os adultos participem e estejam atentos aos sinais que são gerados por essa relação, ressaltando que nem sempre quem desenvolve esse uso exagerado percebe que está se prejudicando.

 

Seja assistindo televisão, acessando a Internet, seja jogando games, é importante a mediação dos adultos. Todas essas atividades são meios lúdicos que oferecem satisfação e novas aprendizagens, entretanto seu uso não deve impedir a busca por outras formas de diversão e de experiências de vida.

 

A maioria dos estudos e pesquisas sobre o tema sugere que acordos sejam feitos entre pais e filhos sobre o tempo utilizado on-line. Também é essencial ter conhecimento sobre os conteúdos que seu(sua) filho(a) costuma acessar e consumir, supervisionando inclusive a classificação indicativa (a faixa etária para a qual filmes, séries e outros vídeos não são recomendados).

 

A tecnologia vai continuar permeando boa parte das nossas vidas, participando da construção da identidade das crianças e jovens, por isso precisamos também educá-los e orientá-los quanto ao uso saudável, respeitoso e lícito das inúmeras possibilidades que a internet e o virtual trouxeram para nós, compreendendo que o que acontece no mundo virtual tem consequências e repercussões no mundo real.

Nesta transição das atividades remotas ao presencial, sabemos que é necessário um tempo para adaptação e ajustes, além da compreensão de que ainda teremos muitas inquietações e questionamentos sobre essa linha tênue entre “real e virtual”.

Estabelecer o diálogo entre pais e filhos é uma das formas de transformar a relação com as mídias em um espaço ético e responsável, favorecendo que crianças, adolescentes e adultos desenvolvam e ampliem relações sociais, conhecimentos e atitudes de cidadania.

Em caso de dúvidas e de mais orientações, busque avaliação e acompanhamento de profissionais qualificados sobre o assunto.

 

Fonte: Os dados compartilhados nesse texto são baseados em orientações da SaferNet Brasil, que é uma entidade nacional referência no enfrentamento aos crimes e violações aos Direitos Humanos na Internet.

 

Serviço de Psicologia Escolar e Orientação Educacional

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