
A liberdade do Pedal
Se, para a maioria dos alunos, os únicos materiais necessários para ir à escola são o caderno, as apostilas e o estojo, para Bruno essa história é diferente. Dificilmente ele sai de casa sem seu capacete e sua blusa de proteção ao sol. E o motivo não poderia ser mais interessante: Bruno vem de bike para o Colégio.
Foi sentado em um dos bancos do bloco B que Bruno gravou um depoimento no qual tenta explicar por que se motivou tanto a trocar o conforto do carro pela bicicleta. E para além de questões muito práticas, como diminuir a poluição do mundo ou mesmo economizar gasolina, Bruno também cita a sensação de liberdade. Foi aí que propusemos acompanhar o percurso de Bruno por um dia.
Alguns dias depois, chegamos a sua casa bem cedo, pois é o horário que ele costuma sair. Seguimos Bruno em um carro à parte, com os vidros abaixados e a câmera apontada para fora. Tentamos capturar os mais variados enquadramentos do seu percurso: a paisagem ao redor, seus pés no pedal, a bicicleta passando por árvores e cimento das vias, suas mãos no guidão, seu rosto concentrado no caminho à sua frente... mas a tarefa se mostrou mais difícil do que inicialmente pensamos. Porque para que tais imagens pudessem ser produzidas, era preciso que o carro sustentasse exatamente a mesma velocidade da bicicleta – ou que Bruno seguisse a mesma
velocidade do carro. Então cada vez que isso acontecia, a cada 5 ou 10 segundos de imagens válidas que conseguíamos fazer, uma onda de comemoração invadia o carro em que eu e Luciana estávamos.
Victor Costa Lopes - colaborador da Escola e ex-aluno.


