
O Uso dos Eletrônicos na Primeira Infância
No contexto contemporâneo, a cada dia, inovações transformam nossa forma de viver, trabalhar e interagir. Contudo, apesar dos avanços que a tecnologia tem proporcionado, é essencial refletirmos sobre o papel crescente dos dispositivos eletrônicos nas relações afetivas e na dinâmica familiar, especialmente no que diz respeito às crianças pequenas.
Em meio a uma rotina de trabalho cada vez mais exaustiva e a uma cultura na qual os pais também se veem imersos no uso excessivo de telas, a tecnologia tem ocupado um espaço cada vez mais central na vida das crianças. Conhecido por alguns como a “chupeta eletrônica”, o uso de aparelhos digitais se tornou uma estratégia comum para distrair as crianças durante as refeições, garantir que comam ou acalmá-las em situações sociais, como em restaurantes ou durante episódios de birra. Embora essas soluções possam parecer eficazes em momentos de cansaço ou frustração, elas podem, na verdade, trazer impactos significativos e duradouros ao desenvolvimento infantil.
As crianças pequenas estão em uma fase crucial no seu processo de desenvolvimento, marcado por uma grande abertura para o mundo. Seus sentidos e percepções estão voltados para a exploração, e elas estão ávidas para apreender tudo ao seu redor, sendo importante que tenham uma postura ativa diante do ambiente e das pessoas ao seu redor. A substituição de experiências reais por estímulos virtuais pode impactar negativamente a capacidade da criança de desenvolver relações empáticas, afetar a percepção do mundo real e dificultar a forma como lida com suas emoções, além de comprometer a capacidade de concentração e o aprendizado escolar.
É também nesse período crucial do desenvolvimento que a criança está construindo vínculos afetivos e estabelecendo relações que garantem segurança, bem como elaborando a noção de si mesma e do outro. É quando ela começa a formar sua identidade e a lidar com a alteridade, com as diferenças e os conflitos que surgem nas interações. A vida no coletivo se apresenta como um grande desafio, mas também como uma oportunidade rica para aprender habilidades que serão fundamentais ao longo de toda a sua trajetória.
Os adultos desempenham o importante papel de ajudar as crianças a lidarem com situações desafiadoras, como frustrações, reconhecendo o mal-estar associado a elas e, gradualmente, auxiliando-as na construção de alternativas para administrar o desconforto e o desenvolvimento de respostas emocionais mais maduras. Para que isso aconteça, é essencial que tanto as crianças quanto os adultos estejam presentes de forma plena, comunicando-se e compartilhando experiências que promovam o crescimento conjunto, com foco nas habilidades cognitivas, emocionais e sociais que serão essenciais na vida adulta.
O ato de brincar é intrínseco a essa fase, funcionando como um poderoso meio de aprendizagem. Durante atividades lúdicas, a criança se sente envolvida e motivada explorando seus interesses. Conforme Lourenço (2004), brincar é o caminho natural do desenvolvimento humano, proporcionando uma base sólida para toda a vida e influenciando de maneira harmônica o desenvolvimento cognitivo e emocional. O brincar não apenas atende às necessidades da criança, como também serve como uma via essencial para sua inserção na realidade. Por meio da brincadeira e do contato com a natureza, a criança reflete, organiza, desorganiza, destrói e reconstrói o mundo ao seu redor.
Assim, convidamos todos a se unirem nesta jornada, assumindo a responsabilidade compartilhada de contribuir para uma infância em que cada criança possa desenvolver seu potencial de forma plena e saudável.
SPE – Serviço de Psicologia Escolar da Educação Infantil (Fortaleza e Eusébio)
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